07/08/2010 - 16:49 Atualizado em 07/08/2010 - 16:49

Confira histórias músicais entre pais e filhos

A arte das notas une as gerações e ligam famílias

Tainá Lara

O velho ditado diz que quem sai aos seus, não se degenera. Posso dizer que eis aí uma grande verdade. Sou jornalista, mas antes disso sou uma apaixonada por música e isso se deve, em muito, ao meu pai.

 

O homem, que hoje carrega cabelos brancos e as marcas da idade, me mostrou desde cedo o poder que a arte das notas musicais tem. Devo confessar aqui, que quando era criança tinha um gosto musical duvidoso. Meu pai, mesmo sabendo que não era o melhor som do mundo, me deu fitas de todos os cantores populares dos anos 90. Pude escutar a trilha sonora da novelinha Carrossel, as primeiras músicas do Latino, os sucessos da Bahia e por aí vai.

 

Esse passado não me dá orgulho, mas lembrar que meu pai sempre deu a liberdade de ouvir qualquer coisa, sim. Sorte a minha que ele também me deu bons exemplos, pude escutar o melhor da música brasileira. Mas a principal lição musical do meu pai, não foram as aulas de violão, nem as indicações musicais, foi compreender que cada um pode gostar de um estilo - por pior que esse seja.


Viagens em conversíveis ao som de Jorge Ben



Paula junto com o pai na infância

 

Para as meninas, o pai é um verdadeiro herói. O homem que tudo pode, que não tem medos e que pode ensinar de tudo. Para a jornalista Paula Romano isso aconteceu no mundo musical, o pai era um verdadeiro herói rock'n'roll.

 

Foi com ele que ela aprendeu a gostar de solos de guitarras. Na infância as lembranças são as viagens ao litoral. No carro conversível do pai o som tocava alto o disco Cabeça Dinossauro, do Titãs, e as melhores do Jorge, que naquela época era só Ben. Era a música saindo dos alto-falantes e o vento nos cabelos... Em um momento que era só dos dois.

 

Ele foi sua principal influencia, com ele aprendeu a ouvir e seguir o estilo mais livre do rock'n'roll. Viver intensamente a vida e sempre sonhar como os grandes ídolos do estilo.



Papai, põe rock?


Do pai, Fernando Souza Filho herdou o nome e o gosto de apreciar músicas mais instintivas. O pai era fã de guarânias, aquelas músicas paraguaias, e o filho aprecia ópera, música clássica e heavy metal. Esses ensinamentos, Fernando passou para sua filha. Mesmo pequena, ela pedia "papai, põe rock?", adorava AC/DC, ficava dançando, pulando, imitando o Angus Young.

 

Mas infelizmente a garotinha foi-se embora com a mãe para o Rio e embora também se foi o bom gosto musical, brinca o pai que agora ouve a filha cantar funk carioca. Mas sorte que amor de pai não se mede pelas notas musicais que o filho aprecia. Ele termina dizendo, "a música sempre une as pessoas, pois a afinidade musical leva à afinidade social. Simples assim!"

 


Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente


A assistente de compras Daniele Costa cresceu ouvindo o melhor da música nacional dos anos 80, 90 e 00. Das lições musicais aprendidas na infância, ficaram na memória as canções de artistas como Cássia Eller e Marisa Monte, Lenine e Zeca Baleiro.

 

Na vida de Daniele e Humberto, seu pai, são muitas histórias musicais. Existem as boas, como a companhia do pai no show dos Raimundos aos 13 anos, "não é todo pai que faria isso". E as traumatizantes, como ter que acordar todos os domingos ao som altíssimo de "Coração Selvagem", do cantor Belchior. Os versos "tome um refrigerante, coma um cachorro-quente", ficaram para sempre guardados na cabeça de Daniele. Naquela época era uma tortura, hoje é uma forma de se lembrar do pai.

 

 

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