"Num bar de Ribeirão Preto,
vi com meus olhos essa passagem
quando champagne corria a rodo
nas altas rodas da grã-finagem..."
Ribeirão Preto é um mito. Escrevo do Rio de Janeiro, que me olha do alto do Cristo Redentor, iluminado em duas cores e totalmente reformado, personagem principal de todas as novelas brasileiras das oito, e crítico minha afirmação, ta bom, Ribeirão é um mito pra mim.As pessoas a quem contei que estive na Feira do Livro, reagiram de maneiras diversas, mas sempre positivas, com relação à cidade. Uns concluíram que eu era de lá, outros que conheciam a fama da capital do chope.
Fui dar uma "gugada", palavra que em breve estará nos nossos dicionários, significando buscar alguma informação no "google", uma espécie dicionário virtual sobre tudo que você queira ou possa imaginar, talvez o mais complexo sistema de informação que já foi criado em todos os tempos. E acessível a um simples toque no teclado do computador, desde que a conexão via Internet esteja perfeita.Você pode fazer qualquer tipo de consulta, outro dia alguém desconfiou quando eu disse que doce de abóbora leva cal, cal de pintar parede, riram e eu fui lá e imediatamente achei diversas receitas de doce de abóbora.
"Guguei" Ribeirão e apareceu no Wykpédia - uma biografia aberta em que todos podem acrescentar fatos, verdadeiros ou não, sobre um assunto - que a cidade tem 154 anos e sua população tem muitos descendentes de italianos,portugueses, espanhóis e alguns austríacos. Não li que tem muitos negros, mas pude ver, toda vez que estive lá, afinal os escravos tocavam as fazendas de café antes de chegarem os imigrantes.
Além de minhas lembranças das disputas do meu São Bento com o Botafogo e o Comercial, fui advertido que a cidade foi a capital do café e, atualmente do agro-negócio.
Não li se a Wykpédia diz que Ribeirão tem uma das mais importantes Feira do Livro do Brasil, e isso não é pouca coisa. Como ator costumo valorizar muito os escritores, afinal são eles que fornecem matéria prima para meu trabalho, a interpretação.
Muito se fala da morte do livro, mas ele está mais vivo do que nunca. O interesse despertado pela Feira de Ribeirão é prova disso. Quatrocentas mil pessoas passaram por lá.
Considerando que a cidade tem em torno de 600 mil habitantes, o sucesso foi estrondoso.
Ziraldo, Rubem Alves,Fabrício Carpinejar,José Silvério Trevisan,Mario Prata,Thalita Rebouças,Márcia Tiburi,Marina Colassanti,Cristóvão Tezza,Carlos Heitor Cony,Moacyr Scliar,Jorge Mautner,Augusto Cury,Laurentino Gomes,Zuenir Ventura,Ricardo Kotscho,Josimar Melo,Ignácio Loyola Brandão,Antonio Torres,,Mario Bortolotto,Jefferson Del Rios,Oswaldo Mendes e muitos outros escritores cruzaram com músicos como Martinho da Vila, Nana Caymi,Milton Nascimento, e outros grandes nomes.
Esse é o terceiro ano que tenho a sorte de poder participar desse evento.
No maravilhoso Teatro Pedro II, Eliane Giardini, Cristina Pereira e eu, lemos o roteiro do filme A Fera Na Selva, baseado na obra de Henry James. A casa estava cheia e foi um momento emocionante. Eliane e eu fizemos a mesma obra no teatro há 17 anos, eu havia guardado os "programas" que sobraram da temporada e os distribuí para a platéia.
Vamos fazer o filme em Ribeirão Preto.
Voltei de Ribeirão com um livro de uma jovem autora debaixo do braço. Estou completamente fascinado pela prosa de Tatiana Levy. Seu romance de estréia, "A chave de casa" (Record) é imperdível.