Amigos, estreamos na terça feira, escrevo na quinta, voltamos a cena hoje e acho que a peça vai pegar. Tivemos uma crítica boa na internet e agora vamos ver o que vai escrever a crítica principal, Bárbara Heliodora, do jornal O Globo. Ela assistiu na estréia.
A opinião da crítica é muito importante. Milhares de pessoas que se interessam por teatro, publico alvo, tomam conhecimento através da palavra escrita no papel, que tem muita força de persuasão.
O teatro é muito efêmero e o que fica é o que está escrito. Mas, o mais importante para fazer o sucesso de uma peça é o boca-boca. Quem viu e recomenda com entusiasmo.
Se alguém fala numa roda que viu determinada peça ou filme e recomenda é bom. Mas é preciso de entusiasmo e isso ninguém comanda.A peça precisa ter agradado mesmo.Ter tocado o coração de quem viu.
Deus da carnificina é uma boa peça. Vem recomendada por muitos prêmios importantes no exterior. Na Meca do teatro, a Broadway ela foi consagrada como a melhor de 2009 com o famoso premio Tony, o Oscar do teatro.
Mas isso, embora seja um excelente trunfo, não garante que ela cairá no gosto do público brasileiro. Vamos ver. Recebi muitos emails positivos de pessoas que viram os ensaios gerais, abertos ao público. Parece que a vai dar certo.
A identificação é total. Quem não teve um filho ou amigo com os dentes quebrados no recreio? Que casal não briga quando colocado em situação de tensão?Que casamento vai as mil maravilhas?Quem duvida que, apesar de anos de tentativa de civilização o homem ainda continua agindo de forma cruel e violenta quando se sente acuado?
Nosso elenco está muito afiado. Foram dois meses de 8 horas de ensaio por dia. Mesmo assim ficamos nervosos na estréia.
Sabíamos que estava na platéia a temida crítica com seus cabelos brancos.
Só a vi no final, na hora dos agradecimentos. Estava na segunda fileira! Tenho muitas cenas falando ao celular e na frente do palco. Olho para o vazio. Temo encontrar o olhar do espectador e ser distraído. Vê-lo olhando para o relógio pode ser mortal.Além do que nossa peça, por estilo, não nos permite olhar para o publico.
Bárbara Heliodora é muito importante, traduziu muitos textos, principalmente de Shakespeare, é muito respeitada pelos leitores adeptos da arte teatral. Mesmo assim creio que teve uma influencia funesta no panorama teatral carioca no seu reinado que já vai para mais de 30 anos.
Já tive boas e más críticas de Bárbara e até a acho divertida e agradável no trato pessoal. Acho mesmo que ela ama o teatro e seu ofício, o que a faz permanecer nele, vendo peças todos os dias e escrevendo sobre elas aos 80anos de idade.
Então o que está errado com ela?
Bárbara tem muitas certezas. Pensa que sabe o que é bom e o que é ruim. E coloca isso com mão muito pesada em suas resenhas.
E ela participa das votações para premiação anual e, pasmem, é membro atuante das comissões julgadoras de diversos editais que distribuem verbas de patrocínio para montagens de peças teatrais.
Não há como escapar dela. Se ela não gostou da peça, sai de baixo. Já li critica onde ela chamava atenção do patrocinador dizendo que a peça não merecia o dinheiro investido.
E tudo do alto de sua idade avançada e dos inegáveis conhecimentos que acumulou. Mas que não a fazem infalível, evidentemente.
Um amigo meu, diretor, diz que no dia que a Bárbara vai assistir uma peça, os personagens vão embora e deixam os atores sozinhos no palco, como se estivessem nus. Cruel, não é?
Escrevo isso antes de sair a opinião dela, mas, tenho quase certeza que gostou, afinal estava aplaudindo em pé no final do espetáculo.
De qualquer maneira, temos que esperar se o boca-boca vai ser bom.