Amigos, talvez vocês se lembrem que antes da eleição de 2002 falei que o Lula não ia ao teatro e que isso me deixava meio chateado, etc. Muita coisa aconteceu depois disso, ele era candidato estava na frente das pesquisas, disseram que eu tinha me bandeado para o PSDB, até fui ver como era lá,conheci pessoas muito legais no PSDB, mas voltei para o PT que ajudei a construir, e como era previsível naquele momento, Lula se elegeu, se reelegeu e agora disputa a eleição apoiando Dilma e provavelmente vai ganhar de novo.
Falar que ele não ia ao teatro, naquele momento do pré - processo eleitoral, foi usado como uma crítica definitiva e carregada de muitos significados negativos para Lula.(no fundo é verdade, talvez ele tenha aflição com teatro, sei lá, tem gente que não gosta de futebol)uma pessoa que não vai ao teatro é inculta. Recebi muitas críticas ferozes de amigos( nem tanto!) do PT. Recebi também mensagens carinhosas e lúcidas de muitos amigos super politizados, que compreendiam perfeitamente que eu estava batalhando para realizar meu filme Cafundó e isso me obrigava a circular pelas hostes do governo de FHC. Não adiantaria querer fazer o filme, pelo menos um ator como eu, com posições políticas definidas, mais do que conhecidas, sem ir ao governo de então. Por mais que a oposição acuse o aparelhamento do estado feito pelo PT, o que vi foi o seguinte, para aprovar projetos cinematográficos nas estatais, era necessário aprovação do governo. Na época diretamente Andréa Matarazzo. (lembro que uma secretaria teria me contado que ele desabafou com ela:" ele não é do PT? Porque vamos aprovar o projeto do filme?"
Quando falei que Lula não ia ao teatro eu estava praticamente reclamando de alguém que considero muito próximo. Lula é um grande mito da política brasileira. Um presidente tão popular e carismático quanto Getulio Vargas. Um mito internacional. E muito próximo de mim. Tenho uma foto dele aqui na minha escrivaninha onde está abraçado com meu irmão Zé, na sapataria. Às vezes, quando não estou com saco de explicar porque voto no Lula e com o Lula, respondo: "é o único que foi na sapataria do Zé".
Pode parecer uma grande bobagem, mas quando isso vai acontecer de novo comigo nessa encarnação? Ser amigo do Lula?( que o Barack cham de "o cara!"
Quando eu reclamei por não ir ao teatro( foi o que a imprensa destacou naquela época, minha entrevista foi longa, foi considerada tão escandalosa, ou eficaz, sei lá, que o jornal Cruzeiro do Sul, no qual eu escrevia então, publicou na integra ( 4 paginas inteiras de jornal).
Fui acusado de "vira -casaca", com direito a foto de boca torta na Folha.
Eu queria que o Lula, que eu acompanhara nos comícios e manifestações, para quem eu havia feito muitas campanhas, por quem eu tenho o maior carinho,fosse me ver em cena, gostasse do trabalho feito ao vivo pela raça dos atores.
Conheço gente que tem aflição com teatro, saber que é ao vivo as aflige. E se der alguma coisa errado? E não curtem. Pode ser que seja a fobia do Lula.
Votei sempre no Lula e acho que fez um excelente governo, com todos os erros e dificuldades que podem ser imputados ao seu desempenho.
É um grande líder mundial. Conta novamente com meu entusiasmado voto.Quanto a ir ao teatro, uma hora ele vai. Vejam o que saiu na coluna do Jornalista Jorge Moreno, no Globo de Domingo. Sou eu sendo citado: "estive em Brasilia para a abertura do festival de cinema da Academia e aproveitei para fazer uma visita ao presidente Lula.( quarta 10 de setembro, no primeiro governo dele).
Foi emocionante! Somos irmãos em origem humilde de prole numerosa, eu um décimo quinto temporão, e não nos víamos a muito tempo! Li prá ele,e ele gostou muito, um trecho da biografia de Lawrence Olivier: "-A grande emoção de 1951, para nós,(ele era casado com Vivien Leigh) foi ter conhecido e travado relações com o nosso glorioso Churchill. Notamos pela primeira vez que ele se interessava por nosso trabalho, num espetáculo de "César e Cleópatra", Shakespeare. No intervalo, eu estava andando pelo camarim, quando a porta se abriu e aquela cabeça imortal, aqueles maravilhosos olhos azuis surgiram na fresta. De tão espantado não disse palavra, mas ele falou imediatamente: - "desculpe, estava procurando o toalete". Percebendo a sua necessidade atravessei com ele a ante-sala e indiquei exatamente aonde deveria ir e como descer a escada onde haveria alguém à espera para levá-lo de volta pela porta secreta até o seu lugar. Ele cometia sempre a ligeira extravagância de comprar três bilhetes, um para ele, outro para sua querida filha Mary e o terceiro para o sobretudo e o chapéu. Na minha opinião é uma das mais sensatas extravagâncias de que já ouvi falar. Mais tarde Mary me contou que, ao voltar para seu lugar junto dela, observara: "Eu estava procurando o toalete e quem acha que encontrei?-Julio Cesar".
Viva Lula! Viva o teatro!