Amigos, semana passada, pela primeira vez escrevi sobre meu pai. Já expliquei que estou fora da psicanálise por algum tempo e então vocês terão que perdoar o descontrole que vaza para a coluna.
Se eu estivesse freqüentando o divã toda semana, talvez escrevesse sobre outros assuntos menos polêmicos do que meu pai e a eleição.
Nesse momento não há nada mais palpitante do que a política e talvez nem sobre meu pai eu escreva, mas sim sobre as eleições.
Lembrei de um episodio que meu pai presenciou e o Jornal Estadão está envolvido.
Na eleição de 1989, fiz um depoimento pra campanha do Lula, que passou no ultimo dia de programa eleitoral na televisão. Eu dizia que era identificado com Lula, que também era de uma prole de quinze irmãos pobres, etc.
Imediatamente alguém, provavelmente de Sorocaba, resolveu me desautorizar e assim atingir a campanha de Lula.
Me confundiu como membro da família Betti descendentes de libaneses, a minha é italiana, e avisou o Estadao,que na hora se assanhou, antevendo a possibilidade de destruir o depoimento a favor do adversário Lula.
O vetusto jornal defensor das liberdades democráticas começou a me ligar, correspondentes do Rio, de Sorocaba e etc.
Avisei meu pai e minha mãe que iriam ser procurados, mas não disse aos jornalistas onde meus genitores moravam, quis que eles trabalhassem um pouco, ora essa.
Horas depois minha mãe ligou dizendo que ela e meu pai foram fotografados pelo jornalão e que confirmaram o que eu tinha dito, óbvio, que eu era filho deles.
Foi um pequeno delito do jornal não ter publicado a foto de meus pais confirmando meu depoimento no programa do PT, mas como diz a celebre peça teatral” Os inimigos não mandam flores”.
Lembrei desse episódio com meu pai Ernesto agora que o Estadão demitiu Maria Rita Khel por “delito de opinião”!
Justamente o jornal que acusa Lula de não ser democrático? Justamente o jornal que declarou seu voto em Serra, no editorial?
Um amigo meu, cineasta, me pergunta o que leva um jornal a fazer uma coisa dessas. A pergunta dele é se é burrice. Eu acho que é um fator psicanalítico, falei que ia começar a falar disso, a grosso modo, Freud diz que tudo que você combate e diz não, é sim. Por exemplo. Deitado no divã eu digo: “não é que eu tenho inveja de tal pessoa”. Isso quer dizer que você tem inveja daquela pessoa.
O Estadão acusa Lula de ser antidemocrático e Lula nunca tomou uma atitude sequer antidemocrática contra jornalista algum, mas o Estadão tomou. No fundo, ele é que é antidemocrático na essência. Esse assunto vai dar o que falar na eleição.
Maria Rita Khel é uma psicanalista muito conhecida, muito querida, muito talentosa também como escritora e ativista política.
O Estadão perdeu a chance de conservá-la como articulista, mas a natureza desse jornal não é democrática, eu sempre soube, ou pelo menos desde quando eles não publicaram a foto de meu pai.
O artigo de Maria Rita é elegante e defende a cidadania, o voto republicano da classe mais pobre, que esta sendo desconsiderada, como se fosse o voto interesseiro de quem está colocando alguns trocados do bolsa família no bolso e se esquecendo do destino do País.
É claro que o periódico não poderia suportar uma opinião dessas no artigo mensal (!!!) da Maria Rita Khel. Reparem que nem é um artigo semanal. Não foi burrice não, embora tenha nos dado esse gol contra que vai render muito nessa eleição, é simplesmente, a natureza da gazeta.
É como aquela historia batida do escorpião que pede ao sapo que o leve para o outro lado do rio e na travessia aferroa o sapo.O sapo olha desconsolado e diz ,”mas você vai morrer afogado”, e o escorpião ” eu sei, mas o que fazer, é minha natureza.”
Se você quiser ver o artigo de Maria Rita Khel e a entrevista acesse http://bit.ly/cPdjXz.
Não percam o campeão de acessos no youtube, coloquem la: "não feche a porta tá?!
E bom divertimento.